8 de mai de 2013

Fiat: Viaggio atrasará ou ganhará frente do Bravo?

Planos podem deixar a marca numa situação pior do que já está, com atraso do Viaggio, se é que ele virá


Viaggio: mais um modelo que pode ser desperdiçado pela Fiat. (Fiat/Divulgação)
Parece que a Fiat vai começar (de novo) com o pé errado no segmento médio, mais especificamente, no de sedãs. Não deve ser segredo para os mais entendidos de carros ou para os que acompanham o FVC que a marca aposta alto num sedã derivado do Dodge Dart (que, por sua vez, é baseado no Alfa Romeo Giulietta) e que, até agora, é vendido somente na China, o Viaggio. O mês de maio começou trazendo novidades a respeito da versão nacional do carro. De um lado, um aparente atraso (já cogitado aqui no blog); e de outro, uma solução caseira, derivada do Bravo. Em ambos os casos, porém, só há um problema: podemos estar lidando com mais um fracasso da Fiat nessa área.

Afinal, também não é segredo que a montadora italiana nunca conseguiu fazer sucesso nesse segmento, tipicamente mais caro do que a zona de conforto da marca. Após o Tempra, primeiro -- e talvez único -- carro de relativo sucesso na área, o Marea não emplacou (apesar de se ter tornado um clássico) e o Linea... Bem, o Linea não foi um horror, principalmente em seus primeiros anos de mercado, mas também não empolgou. O novo candidato tem todas as qualidades suficientes para se dar bem, é só caprichar no marketing (que não ajudou Linea nem Bravo, só para lembrar). E ter um bom timing para o lançamento.

A futura fábrica da Fiat em Pernambuco. (Fiat/Divulgação)
Segundo o UOL Carros, a montadora pode dar adeus ao último item. Como o sedã será fabricado em Pernambuco, na nova fábrica do grupo, que só ficará pronta ano que vem, a primeira previsão de lançamento era para 2014; ano de Salão do Automóvel, Copa do Mundo (a Fiat é patrocinadora do evento na Rede Globo, ou seja, daria para conseguir certo barulho)... Sem contar que, até então, dois anos de atraso seriam justificáveis e compreensíveis, já que o Dart foi apresentado em 2012, assim como o Viaggio. Mas segundo informações do portal, não será bem assim.

O modelo chegará apenas no segundo semestre de 2016, após um SUV compacto e uma picape média, construída sob arquitetura do Dart/Viaggio, que chegam no primeiro semestre de 2015; dois SUVs da Jeep, um baseado no da Fiat e outro, maior, baseado na picape, que chegam no fim de 2015/início de 2016; e um SUV médio-compacto com a marca Fiat, derivado do da Jeep, que chega no início de 2016.  (Antes de continuar falando do Viaggio, um pequeno parêntesis: é possível fazer algumas suposições a partir desses planos, como o futuro da Strada. Será que a picape realmente irá crescer e fundar um segmento de "picapes médias compactas"? Será que um desses SUVs é o 500X? Ou ainda, será que um deles é o substituto da Palio Weekend?)

Com esse tempo de intervalo grande entre a apresentação internacional do carro e o lançamento no Brasil a Fiat vai matar o frescor de novidade do modelo, um de seus maiores apelos. Quem garante que até 2016 ele ainda será atraente como é hoje? Vai dar na mesmo do Bravo, ou seja, será um desperdício, um tiro no próprio pé e uma grande falta de consideração pelo produto, que, atualmente, é excelente.

Torcendo para que as informações deste post não sejam verídicas. (Fiat/Divulgação)

Plano mais tenebroso que esse só o que a Quatro Rodas divulga na sua edição de maio: um sedã que ainda não tem nome, pode chegar às lojas ainda este ano, mas desenhado no Brasil com base no Bravo e "inspiração" no Viaggio. A projeção que ilustra a página, aliás, é de um sedã com traseira muito semelhante ao sedã ítalo-chinês, mas com a frente do hatch médio. Ainda segundo a publicação, o plano da marca é deixar Viaggio ou o Dart como um sedã premium (o que já se era de imaginar no segundo caso).

Quando li a informação, só consegui pensar em duas coisas: ou a revista deve ter confundido as coisas (afinal, parece que a Fiat realmente tem o projeto de um sedã para o fim desse ano, mas ele é o Linea reestilizado) ou a Fiat enlouqueceu de vez. Onde já se viu botar a frente de um carro que não consegue vender bem em um modelo que, aparentemente, deve ser sucesso? Veja bem, não estou criticando o Bravo, o acho um excelente modelo, muito bonito e um dos melhores de seu segmento, mas não posso simplesmente ignorar o fato de que ele não tem fôlego.

De uma forma ou de outra, é certo: todos perderão se um desses for o plano da marca (um pouco menos se for o do UOL Carros, é verdade). O sedã, que tem um belo potencial e é excelente, será desperdiçado. A Fiat perderá o momento (e ela deveria ser a única montadora a não passar por isso, depois do Bravo que, claramente, não parece ter sido lição) e terá mais chances de não decolar um modelo no segmento. E nós, que ficaremos com uma opção menos atraente (se recebermos o Viaggio original atrasado) ou pouco atraente (se tivermos uma solução "meia-boca"). Esse texto pode parecer uma crítica, mas mais do que isso, é uma pequena decepção. Apostava tanto nesse novo sedã quanto a Fiat. Agora? Já não sei mais. E você, o que acha dessa história?

Viaggio: sucesso desperdiçado? Abre o olho, Fiat! (Fiat/Divulgação)


Fontes: UOL Carros e Quatro Rodas (Edição 643, maio de 2013)


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